Reflexões do Padre Segundo Llorente
Missionário jesuíta no Alasca

Reflexões do Padre Segundo Llorente

Uma vida entregue ao Evangelho entre os povos do Ártico

Reflexões do Padre Segundo

Na obscura Igreja de Nunajak, sozinhos Ele e eu, sem falarmos, nos entendemos, descansamos e temos nosso céu aqui na terra.

Nas grandes Igrejas das cidades e de alguns povoados, está o sacrário tão distante do povo que parece estar também distante do Santíssimo.

Durante minha visita aos Estados Unidos ao entrar naqueles templos como praças , parecia-me estar realmente numa praça. Aqui, em Nunjal, não é assim.

Aqui, junto ao altar, juraria que escuto Jesus no mais leve cochicho.

Pela manhã, saio das cobertas como um urso da cova. Acendo uma vela e calço as botas de pela de foca, cheias de erva seca para os pés ficarem bem agasalhados e não esfriarem mais que o razoável.

Acendo a estufa e, se congelou a água, derreto o gelo e lavo-me. Abro a porta, e dou dois passos e já estou diante do altar.

E digo ao Senhor como o pai do filho pródigo disse ao seu filho mais velho: "Tu sempre estarás comigo e tudo o que é meu é teu"; porém parece-me ouvir o contrário: que sou eu que estou com Ele e todas as suas coisas são minhas.

E assim tem que ser, porque minhas coisas - O quê valem a Ele? - Que fará Ele com minhas botas remendadas, minha roupa puída, e minha ignorância?

Em troca, eu posso fazer um magnífico uso de suas coisas: sua onipotência, sua bondade e sua misericórdia.

Certamente eu sempre estou com Ele."